07 août 2006

Israel

É com profundo pesar e tristeza que me vejo obrigado a escrever o que sinto. Já via que as coisas se encaminhariam para um desfecho assim, mas sempre mantive a esperança de que meus compatriotas tomariam jeito e se tocassem. Ao som de um ótimo rock israelense, venho expor aqui a minha demissão do título de cidadão do Estado de Israel. Embora a legislação do país não permita que eu deserde, quem manda aqui nos meus assuntos sou eu.

Os motivos:

Um território: só tem areia e mar. Deserto. Chama-se Dubai. Os mais modernos hotéis e centros empresariais estão ou estarão lá. Praias antes insossas ganharam sal e se tornaram paradisíacas. Assim como eles, outras famílias de príncipes fizeram uma revolução em suas terras. Atraindo o investimento e o tolo negociante ocidental, oferecendo-o tudo do bom e do melhor. Ganham rios de dinheiro, acabou com a miséria de seu país, atraiu imigrantes que formam já um povo heterogêneo.

Outro território. Tem deserto (de pedra) e mar. Mas também tem terras férteis, praias naturalmente maravilhosas, ruínas históricas, atrações únicas como o Mar Morto e a maior depressão do planeta e, de quebra, ponto de peregrinação de 3 das grandes religiões mundiais. Assim como Dubai sempre foi inabitado pela falta de atrativos, a região de Israel-Palestina sempre foi disputadíssima e ponto de encontro multicultural e cosmopolita desde milênios. E o que fazem esses governantes? Retrocesso, transformar um lugar aprazível num caldeirão do inferno. Lugar mais sagrado do mundo talvez, é o centro magnético de todas as energias negativas desferidas pelo povo que o rodeia. Mas, se o povo é um rebanho, os líderes locais trataram de transformá-los em matilha – "pega! Ao ataque!"

Desde sempre, desde as Cruzadas. Desde que cristãos e muçulmanos não se batem. O grande clássico de rivalidades não é Cristão x Judeu (apesar de muitas desavenças, como a Inquisição e o Nazismo, são aliados, um é a reforma do outro). Tampouco é Judeu x Islam (que sempre coexistiram juntos, até a chegada dos ingleses). O derby religioso é Cristão x Islam. A religião de Mohammed cresceu de forma muito mais rápida do que a de Jesus. E logo conquistou a simpatia de muitos, inclusive dos que moravam no lugar sagrado Jerusalém. O contra-ataque veio com as Cruzadas e continua até agora.

A região em que nasci é uma invasão cristã em território islâmico, feita de forma hostil. Tanto que ela começou sem muitos problemas, quando primeiro vieram os judeus cultivar a terra, também santa. A última grande briga dos colegas judeus e cristãos foi na 2ª guerra, e gerou uma aliança poderosa posteriormente. Tanto que trataram de cravar o estado de Israel exatamente lá, o alvo das Cruzadas. De forma autoritária, e não através da palavra e da religião. E os judeus ficaram como os guardiães do local sagrado cristão. Ninguém abriu mão de nada para negociar. Todos estão na ofensiva e não existe nenhum intermediário para acalmar os ânimos. Os ocidentais (cultura cristã), se fazem de mediadores mas o que querem é a tensão. Os semitas se matam uns aos outros influenciados pelo ódio ensinado desde a infância.

Não vejo forma de tolerância estabelecida nos arredores de Jerusalém. Minha utopia sempre foi uma nação única, do Marrocos ao Iraque. Uma espécie de UE, só que com o nome de União Semítica. Fiz até três desenhos de bandeiras para serem escolhidas em futuro plebiscito. Uma união completa entre yin e yang, com os dois opostos do Médio Oriente, que são tão complementares, os hebreus e árabes (olha os alemães, franceses e ingleses juntos). Incluindo aí os berberes, beduínos e todas as minorias semitas formando uma nação de clima fantástico, com atrativos como o Mediterrâneo, o Mar Vermelho, as Colinas de Golan (que são ótimas pra ski, sabiam?), o místico deserto do Saara e por aí vai... Formar-se-ia um bloco superpotente, econômico, turístico, natural, histórico. Ao invés disso, é polo centralizador de especialistas em bombas, fardas e estratégias para matar, ver o sangue jorrar, explodir, estuprar, humilhar, assustar e temer.

Quando chega-se a uma situação limite como agora, tem que ter um recomeço. O estado judeu criado em 1948 foi escolhido no Oriente Médio, ganhando das outras propostas: Patagônia ou uma região desabitada de Uganda. É um instrumento, uma arma, dos ocidentais na briga com os islâmicos. E ela deve ser desarmada. Que se explodam! Façam cinzas de Jerusalém, vamos expandir o Mar Morto até cobrir de sal grosso (Mar Morto em hebraico é "Iam há Melah", que significa "Mar de Sal") todo o passado - que tá com uma inhaca ou uma macumba das brabas. Os bons cidadãos, de ambos os lados, que saiam da região e vamos torcer para ver um grande espetáculo de guerras e massacres, que acabe em nocaute duplo ainda no primeiro round. É de sangue que esse povo gosta, que tenha! Assim que eles se saciarem nessa orgia e caírem desfalecidos, a gente volta e constrói outra coisa.

Se o objetivo futuro é a paz, que se destrua a história.

Pena o riquíssimo material histórico que existe ali – vai pras picas. Mas afinal, é deles, que façam o que bem entendem com isso.

Posté par iami à 00:04 - Commentaires [0] - Permalien [#]


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